História do SUP

Stand Up Paddle no Brasil – Passado, presente e futuro

Por Roberto Melchior – Paraty, cidade do litoral fluminense, patrimônio da humanidade, foi palco do Aloha Spirit, o maior evento de esportes aquáticos (entre eles o Stand Up Paddle) da América Latina.

São 3 etapas ao longo do ano, a primeira foi realizada em Ilhabela, a segunda em Paraty com o recorde de inscritos e a presença de mais de mil atletas em provas de natação, stand up, canoa havaiana, paddleboard e waterman. A terceira etapa será realizada em Salvador, entre os dias 10 e 11 de Setembro.

Na semana que antecedeu a FLIP, a maior feira literária do Brasil, Paraty foi invadida por remadores e nadadores com suas pranchas, canoas, roupas coloridas e o amor incondicional ao mar.

 

Stand Up Paddle no Brasil

Entre os inúmeros participantes das diversas modalidades do Aloha Spirit, há inúmeras histórias de superação, de entrega, de abnegação de homens e mulheres que se entregam ao esporte como forma de dialogar com o mundo e estabelecer uma ponte entre o real, o imaginário e as conquistas.

Há os campeões como o fenômeno Paulo dos Reis campeão mundial de windsurfe e um dos maiores remadores do país e seu filho, Guilherme dos Reis que em uma disputa acirrada e emocionante, disputaram remada à remada, a prova principal do Stand Up Profissional, cabendo ao jovem Guilherme, a vitória em uma disputa em família.

Entre as mulheres, nomes como Gabi Latini, Claudia Delcorto, Paula Gonçalves, Thais Romiti, Lena Guimarães, Aline Adisaka, Marli Pires e Naomi Costa entre tantas outras guerreiras, desfilam charme e simpatia e remam como se não houvesse amanhã, dando um outro sentido a equivocada idéia acerca do “sexo frágil”.

As histórias de vida se misturam, se entrelaçam e tecem o fio que nos une e nos irmana, Léo Pielak, de Curitiba e sua Kombi no mais puro estilo californiano, compartilha com o jovem Thiago Kerner, de Santos, uma luta incansável, na qual perderam mais de 40 kg e agora se entregam de corpo, alma e espírito ao mundo do Stand Up Paddle, como exemplos vivos de que as transformações são possíveis e de que as mudanças estão em nossas mentes, basta liberá-las para que alcem vôo.

No esporte não há derrotados, apenas vencedores, alguns alcançam o lugar mais alto do pódium, outros, superam suas limitações e escrevem suas histórias a seu modo, de um modo particular e único. Em um evento como o Aloha Spirit, inúmeros fotógrafos buscam registrar as melhores imagens; o mago, bruxo, alquimista e monstro, Alexandre Socci, sempre nos surpreende com a poesia e o encantamento contidos em suas imagens, assim como Claudia Lindemann, Carla Falleiros, Fabiana Ferreira e tantos outros fotógrafos que congelam o tempo e o lançam em direção ao futuro, eternizando-o em imagens plenas de poesia.

 

Há imagens que são como sombras projetadas, que inadvertidamente adquirem vida própria e caminham pela terra, produzindo sentidos e significados. A imagem da fotógrafa Carla Falleiros, registrando o atleta Pedro Gonçalves de 7 anos, remando lado a lado com o também atleta, Sr. Josino Liporini, remador de 70 anos, não é apenas uma imagem fotográfica, mas, sobretudo, o registro de um momento mágico e envolvente, proporcionado pelo esporte.

 

Os atletas remando de Stand Up Paddle no Brasil

Os anos que separam o menino Pedro, do Sr. Josino, representam décadas e décadas de um tempo que poderia ser preenchido com tudo aquilo com o que de melhor sonhamos um dia.

 

Entre a inocência do menino Pedro e os anos de vida do jovem Sr. Josino de 70 anos, repousa o amor pelo esporte unindo ambos e conduzindo-os abençoados pelo mar de Paraty.

Pedro, filho do Fernando e da Juliana, irmão da Maria, conhecido por “Marrento”, enfia a pá na água e é como se o tempo fizesse graça e o víssemos remando, saudando o passado, o presente e o futuro em um mote contínuo.

Diante da imagem, já não sabemos se vemos o menino Pedro remando em um futuro distante, ou se o jovem Josino, mergulha no passado e se faz menino, rasgando o mar, driblando o tempo e dialogando com as lembranças de seus dias de criança.

São duas histórias que se entrelaçam e já não importa o que é passado, presente ou futuro, sabemos apenas que naquele momento, separados por anos de vida, irmanados pelo amor ao Stand Up Paddle, estes dois personagens, são um modelo perfeito de um momento em que os seres humanos são como Deuses que passeiam pela Terra, incendeiam nossas almas e alimentam nossos corações com a esperança de um mundo melhor.

 

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